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sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

O Processo

Não há perdão para mim.

É doce e ao mesmo tempo perturbador.

Não consigo asfixiá-los e nem quero.

Eles falam por mim e são silenciosos

Me puxam, me rasgam e caio ajoelhada.

Me cochicham ao ouvido. Ouço e sigo.

Volto e paro e já não há gravidade que me prenda.

Meu corpo tem grades de onde posso ver o sol. Às vezes, eles estão lá na claridade.

De tão longe, os silêncios se misturam com o barulho exterior.

Chega-se ao ápice. Meu coração pára e cansa, cansa e pára.

Minha cabeça ferve e logo gela.

Um choque!

Tento flutuar e a todo momento me despertam para o que não é meu.

Demora, mas logo acaba. Volto para o fundo e eles voltam, quase, quase!, imperceptíveis...

Ouço pouco e sinto muito! Mas passe bem...

A palavra fica inútil e eu me (con)fundo com eles e eles dançam ao meu redor.

Todos na mais deliciosa contradição.

Marina A. Cicliano