Não há perdão para mim.
É doce e ao mesmo tempo perturbador.
Não consigo asfixiá-los e nem quero.
Eles falam por mim e são silenciosos
Me puxam, me rasgam e caio ajoelhada.
Me cochicham ao ouvido. Ouço e sigo.
Volto e paro e já não há gravidade que me prenda.
Meu corpo tem grades de onde posso ver o sol. Às vezes, eles estão lá na claridade.
De tão longe, os silêncios se misturam com o barulho exterior.
Chega-se ao ápice. Meu coração pára e cansa, cansa e pára.
Minha cabeça ferve e logo gela.
Um choque!
Tento flutuar e a todo momento me despertam para o que não é meu.
Demora, mas logo acaba. Volto para o fundo e eles voltam, quase, quase!, imperceptíveis...
Ouço pouco e sinto muito! Mas passe bem...
A palavra fica inútil e eu me (con)fundo com eles e eles dançam ao meu redor.
Todos na mais deliciosa contradição.
Marina A. Cicliano