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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Batalha dos Homens

(livro dos homens - cap.3: Proverbios, 4)
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terça-feira, 11 de novembro de 2008

A Batalha dos Homens

(livro dos homens - cap.1: The Twin Room Project, parte dois)
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A mente afundada num mangue de letais pensamentos enquanto que de seus olhos saiam em procisão incontiveis lágrimas, doloridas, quase tóxicas. Elas marcavam a pele do seu rosto, abrindo valas, como um esgoto que procura por onde desaguar. Mantinha as mãos serradas fortemente uma na outra, suas unhas – a muito tempo sem corte, algumas quebradas, cravavam-se nela e por aqueles orifícios virgens escorriam gotas do seu sangue ralo, pálido e frio. Seu corpo, depositado num imundo colchonete, mofado e repleto de pulgas, compunha o cenário ao lado de alguns animais mortos e de outros animais vivos – que percorriam desorientados as trilhas de migalhas da comida que não havia mais. As paredes descascadas revelavam o gosto dos primeiros e segundos e consecutivos moradores, o pichamento revelava o gosto dos últimos. Em um canto, resistia precariamente presa à parede, uma pia de cozinha, água até o extremo da sua borda – um líquido esverdeado e podre onde pedaços de carne crua boiavam decompostos. Em outro canto, no mais escuro dos quatro cantos, via-se um lençol embolado e abandonado ao chão - ali escondia-se o que os seus olhos chamais suportariam ver. Era ali que estava tudo... Não haviam janelas. Os sons que ouvia-se eram abafados e roucos – alguns mais claros e nítidos eram produzidos ali mesmo, canos que rangiam, vidros que se quebravam, tijolos que caiam. A pouca luz que invadia o antro, se esgueirava por buracos e rachaduras do forro – que se despedaçava aos poucos. Era por ali que ela espiava o piso superior, deserto, silencioso, tranqüilamente claro. Alucianada, via nele a perdida possibilidade de redenção, o retorno a uma vida que perdeu sem ganhar. Nos breves momentos em que dormia, alguns poucos e curtos que a dor visceral a permitia, perturbava-se com sonhos ruins – experimentava neles a repetida e desesperadora sensação de cair, de desabar, de chocar-se contra o chão após quedas vertiginosas e psicodélicas. A porta do apartamento permanecia entreaberta e aparentava a mesma podridão do que mais havia ali – já não sobrara nenhum brilho na tinta a óleo azul com a qual fora pintada a décadas atrás. Na parede ao lado via-se um antigo interruptor que descia do teto, nele expunha-se marcas de um curto circuito e as manchas de um pequeno incêndio, improvável que funcionasse, e se milagrosamente o fizesse, de nada adiantaria – a lâmpada já havia despencado do forro e seus estilhaços de vidro eram encontrados por todo o chão.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Batalha dos Homens

(livro dos homens - cap.2: Proverbios, um)
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Batalha dos Homens

(livro dos homens - cap.1: The Twin Room Project)
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Batalha dos Homens

(livro dos homens - cap.1: The Twin Room Project , parte um)
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Depois de subir alguns andares de elevador, Suan convence-se a continuar o caminho pelas escadas ate o seu apartamento. Mora no penúltimo andar. Por conta de problemas mecânicos tem de subir cinco lances de escadas ate sua porta. Não é novidade perceber que talvez seja o único a fazer o caminho penoso pelas escadarias maltratadas do topo do edifício. Cada degrau é um passo ou ate menos. Seu pé quase não se apóia sobre o cimento de planejamento defeituoso. As escadas são curtas, muito perto umas das outras. Mais do do que desprenderem ruídos insuportáveis e serem incomodas para qualquer ouvido, elas são perigosas. Elas não caem, não quebram, e tão pouco dão sinais de envelhecimento. O verdadeiro drama não estão nesses retângulos de tom obscuro, que quisera alguém que não combinasse com as paredes pintadas de cal e água, e sim em cada segundo de tempo que se perde em pensamentos no fôlego de se chegar ao destino que elas levam. Cada gota de suor, cada suspiro, cada esforço de músculo não é nem minimamente compensado pela imaginação descrente do homem que trilha essas escadarias sufocado senão pelos próprios infortúnios, ao menos pela ausência de ar e excesso de 'xileno' que se exala das cores que deveriam ser de tinta. Da falta do que respirar, ele contenta-se então em inalar um 'algo' que não define se sai daqueles cubículos ascendentes, ou de sua própria camisa. Quanto ao calor ele não reclama. Quem dera se naquela atmosfera fria pudesse haver uma brisa quente, abafada, úmida. O caminho vai chegando ao fim e cada marca de sola de sapato que Suan deixa na poeira do chão, o faz lembrar que ninguém mais alem dele ousa desafiar os últimos andares esquecidos.
Ele chega a porta de seu 'lar' desleixado. Não faz esforço para tirar as chaves do bolso. Simplesmente gira a maçaneta, entra, e perde-se na escuridão de alguns poucos cômodos.
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